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Lucia B.

Mineira, nascida em Patos de Minas, M.G. em 1960. Escritora, bacharel em Direito pela UFMG e pintora. Sua obra narra a vida simples e doméstica de uma personagem solitária mergulhada em dúvidas que constituem uma trama psicológica. Sua escrita é marcada por uma enevoada epifania circular. Embora declare-se brasileira, sua identidade se dilui entre o leste europeu e a américa latina.

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22 de novembro 2021

[2/11 22:38] LUCIA B.🧄: ... Sim amiga, acabo de escrever o que acho
Sim. Foi suicídio.
Acho que na folha diz isso. Violência.Mil coisas passam pela minha cabeça.
Tô impactada com a violência mesmo quando se atinge o que tanto se busca. O sucesso é violento. A luta foi violenta pra ele.
Foi duro, deve ter sido. Claro! muito duro!
Reflexo por ter perpassado o sistema denso?
Ficou preso às amarras do mercado, do sucesso, da mercantilização da sua arte?
Qual  fantasma o atacou?
Qual o fantasma do mundo dos  brancos te ataca?
Se perdeu no desejo?
Se perdeu no sucesso?
Lutou bravamente, temos certeza e tragou  o sistema com seu olhar avassalador de guerreiro.
Vi uma live agora que ele dizia ter voltado um pouco pra Roraima. Teria ele quase  perdido o caminho de volta? Dizia enquanto pintava uma rede encomenda para exposições futuras, que  tinha novidades sobre expor lá fora, as serpentes, mas ainda não podia falar sobre isso. Ele pintava a rede e dizia que muita coisa estava acontecendo. Que já voltaria a S.P. mas que ele e amiga  resolveram dar um pulo em casa...uma recarregada?
É o mercado e o sucesso?
É preciso mudar o mundo. Não ter consciência dos próprios passos é que nós mata a todos. Ele deve ter deixado algo escrito. Ele não equacionou à seu próprio favor, ou sim?
Lá foi Makunaima neto também integrar a constelação de URSA MAIOR.
Preferiu morrer como mártir talvez...Foi isso que pensei porque o sucesso dele massacraria seu povo por se tornar um fenômeno individual internacional. O que fazer com o sucesso e um povo arrasado nas costas? Isso não é luta para um homem só. É luta  de todos nós pelo fim das desigualdades. Precisamos mudar o significado das coisas todos os dias com nosso corpo.  
É a frase da Jenny Holzer
"PROTECT ME FROM WHAT I WANT."
Torço pra que não tenha sido um acidente. Seria ainda mais triste e inconcebível. Que os Deuses cuidem dele agora.Que muitas fogueiras se acendam em sua homenagem
O mercado sufoca a todos e  isso não se pode negar!
[2/11 22:39] LUCIA B.🧄: Só publiquei isso aqui pois não haverá auto promoção nem teses acadêmicas...
[2/11 22:47] LUCIA B.🧄: Mas foi isso que saiu

NONINE
25 de outubro 2021

inéditos não sei o que interessa é um corpo não só erotizado mas arquitetônico quando desci aquela escada seu pé estava bem firme no chão era forte imagem do seu pé no chão bem espalhado na terra um corpo que zumbia por dentro tanto quanto abelhas insetos um barulho alto todos os pássaros falavam ao mesmo tempo procurava o silêncio te disse que o que complicava era quando entrava gente gosto mas é uma negociação intensa com o lugar seu meu nosso na origem legítimo subterrâneo escavado agora não podemos negar a urgência de “caetanear ” tantas e tantas vezes rodar saia baiana cigana povo todo na gira formas todas cores todas todo entardecer a areia o mar o sol o calor e o suor de todos que desfilam na beira d`agua sorrindo de felicidade pés molhados fincados chapados de brisa da areia da água de novo de novo no nove naquele vai e vem que informa o horário no brilho do olho do cara que conversa comigo de frente de costas de quem vem ele vê quem vai e a ilha estou no naine biquine vermelho Brigite Bardot miro os bueiros em dias de chuva são diferentes Wanda passava do outro lado da rua de lenço amarrado olhando pra o chão não sabia e dobrava o quarteirão olhando para o chão e no inverno essas ruas formavam um corredor de vento frio levantava tudo vento vindo do mar casaco de nylon vermelho pouco abaixo do biquíni branco em direção a praia ver onda de carneirinho maluco caindo na ressaca não vestia sapatos sai sem sapato em casa sem sapato de novo no nove sem sapato tomando um suco de abacaxi com hortelã por do sol laranja de verdade aquela bola caindo dentro do horizonte

EXTRAEXTRA
01 de agosto 2021

é tão urgente mas naquele momento não conseguia me mexer mais pra perto indo olhei pra o lustre colorido e dei um gole d’água no gargalo da garrafa quadrada que fica bem ao lado da cadeira de onde estou sempre lendo e escrevendo e o sol entra pelo meu lado esquerdo vem mais perto eu me descolo do que é imediato `as vezes e sinto isso em cada linha foi quando eu falei vai perder levanta e escreve essa sensação de estar dentro do trem novamente tem algumas crianças que correm ou estão perdidas ou buscam por seus familiares ou pedem comida mas parecem já ter se acostumado com a falta de seus parentes elas vagam apenas vagam e o chão molhado não tem nada nessa esquina dobra pra próxima também não acho nada dobra pra frente e segue o que eu encontro tira o eu por favor da minha frente porque nessa alameda paisagem frente reta infinita meus olhos não tem e sim habitante em permanentemente busca ou ele é a própria busca incessante por que não sei exatamente por imagens não seria pois elas o abarcam e soterram e são muitas e se perde então mergulhando novamente no “rem” o resgata abre olha e pensa não dará tempo será que o resgato será que acerto o nó dessa bifurcação neural que acessa a repetição e poderei ver novamente aquele instante que de fato é cena cena repetida e gravada que jamais sairá da pele passei pra dizer que penso em você e penso em quanto você me instiga e o quanto te vejo fora de tudo daqui de longe somos outros